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Cena 05 · A cidade parada

Lotações e engarrafamentos

CHEGA de a cidade inteira parar no mesmo quarto de hora. De chegar todo mundo ao mesmo tempo, às cegas, no improviso — lotando lugares, formando filas.

O portão da escola que engarrafa o bairro. O corredor que trava às sete e quarenta. O ônibus que ninguém sabe se vem cheio. A estrada em que ninguém avisa que chegou.

Sair um minuto antes ou um minuto depois muda tudo — e ninguém mexe na rua. O que se organiza é a vaga, a doca, o portão. A rua desafoga sozinha.

A cidade parada

O bisturi, não o berro — Ninguém rastreia ninguém. Quem não declarou, não é procurado. A ausência é notada no destino, nunca no caminho. Não guardamos o seu dinheiro. Nenhum governo do outro lado do balcão.